Viver em uma grande metrópole é sentir o quão superficial e difícil é comunicar-se com as pessoas. É falta de sombra fresca e palavras bruscas de sobra. É acordar e dormir sentindo que ontem e amanhã trazem a monotonia da rotina. É a expectativa do fim-de-semana que nunca é suficientemente longo. Mas o pior de tudo, são as milhares de caras abaixadas com seus celulares à mão.
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2 de janeiro de 2014
1 de maio de 2011
Cotidiano
Tenho uma incrível dificuldade de pôr para fora os pensamentos que são novos e nascem. Me calo e por isso acreditam que sou alguém desatenta. Busco apenas sentir da melhor maneira possível, e tentar assim, passar o máximo de sinceridade das coisas que me são. Sou ingênua demais quanto a momentos compartilhados. Há esperança demais, e com ela, decepções demais.
Quis me acostumar com a solidão e agora não sei como fazer dela algo que não é meu, é já minha companheira e quase melhor amiga. É ela quem procuro quando me sinto acuada, frágil em tentar ser alguma coisa. Não deveria ser o contrário? Deveria querer um abraço seu, algumas poucas palavras simples e pronto, fomos felizes. Mas o mundo me joga contra coisas ásperas, duras de se sentir, inabaláveis. Não me acostumei a dividir momentos, e com isso acabei falhando no que queríamos ser juntos.
Inquieta, respiração, deito a cabeça nos joelhos, sem pensar, pois não preciso disso por enquanto, quero algo mais que sonhar, algo paralelo ao amar, mãos dadas, passeios sem rumo. Apenas sentir o momento me basta. Saber que me doem tantas coisas e que ainda assim, fui escolher compartilhar tudo isso. Desculpe pelos momentos em mim mesma, egoístas e distantes; pelos instantes em que você, cansado, me pergunta coisas sem ter respostas minhas. Queria que soubesse que se assim o faço é por saber que existem momentos em que as palavras nascem, momentos inexatos, de não saber o que se é nem a que veio, mas sei estão lá, guardadas em alguma célula. E elas sairão...quando enfim os silêncios se combinem.
22 de agosto de 2010
Passei os últimos cinco anos da minha vida me relacionando com homens que vivam em outros estados. Minha idéia nunca foi "quanto mais longe melhor", eu simplesmente nao conseguia achar graça nos homens da minha cidade. Machistas demais... E eu, como alguém que preza o tradicional "oi-tudo-bem-vamos-pra-cama-agora?" nao conseguia obter diálogos muito convincentes com eles. Acho que eles nao entendiam por que eu preferia estar bebendo as 3 da madrugada sem dizer nada com nada, só esperando que alguém que fumasse o mesmo cigarro que eu aparecesse pra que eu pedisse um e pudesse assim recomeçar todo o ciclo de besteiras aleatórias, do que estar em casa vendo filmes de humanas que se apaixonam por vampiros. Percebi assim, que amar a distancia é tao complicado quanto tentar explicar para os caras da minha cidade porque eu escolhi ficar sozinha, com a diferença que nao preciso mais gastar com passagens de avião. É, me dei melhor sendo sacana.
Hoje é sexta.
12 de fevereiro de 2009
Carona em Bauru
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Escrito em 2006...
Escrito em 2006...
Sabe o dia no qual você deu carona pro Thiago, Victor, Carol e Henrique? Bom... Estávamos voltando da festa e você levando eles para casa. Lembro-me que estava quieta, sentada no banco do carona, e o Thiago começou a imitar alguém. Todo mundo começou a rir, só eu não porque não entendia a imitação da menina que todos vocês conheciam. Daí você começou a dar aquelas risadas, ahhhh... Aquela sua risada! Eu ficava olhando, de canto quase sem me mexer... só espiando. Enquanto você ria e dirigia, e eu ria porque estava vendo seu sorriso. Foi quando eu olhei com mais atenção e entristeci. Aquele sorriso em pouco tempo não estaria comigo,e viriam as saudades, lembranças e o som do sorriso
Fiquei olhando a paisagem, tentando evitar te olhar, mas eu conseguia te ouvir, e você continuava sorrindo.
Fechava os olhos e sabia exatamente o movimento da sua boca, como sua cabeça vai ligeiramente pra trás quando sorri, como você achava tudo aquilo engraçado. E eu pensando nas saudades, saudades que nos dividiam em milhares de quilômetros. Virei o rosto, te olhei, você já tinha parado de sorrir, voltou a apenas dirigir, mas não me olhou. Fiquei olhando mais um tempo e você mexeu um pouco a boca como se estivesse falando pra ela deixar de sorrir. E voltou a ficar sério. Daí tive a impressão que você levaria a cabeça ligeiramente pra trás e sorriria de novo. Mas daí você não sorriu.
Bateu a seta.
Dobrou o carro.
Olhei pela janela.
E quem sorriu fui eu.
Você ficava lindo sério.
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