7 de setembro de 2008
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morre a vontade de se saber porque
Não quero dizer mais nada
Mas não se esqueça do espaço
entre eu e você.
Instante indizível
onde Deus está presente
meus dias feitos de sol, areia e mar
e meu tempo fixado ao frio ausente
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(Mais sobre você que nunca vou saber)
Sobre você
Amor distante
amor demais.
E a partir disso
não querer nada mais.
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quando não experimentamos novos sentimentos e os compreendemos.
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Pernas mais curtas que pensamentos
amanhã fazer o mesmo que agora
não prendo o choro dos sentimentos demais
chorei apenas pelo que não sabia
e que me fez sentir a parte do peso das coisas
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Foi embora
sem mim
sem nunca ter havido
nós...
dois
6 de julho de 2008
Palavras a uma estranha
À Maria...
uma bossa desconhecida.
17 de junho de 2008
Poesia primeira
Seja conclusivo na forma, no medo, na adversidade,
no jogo, na vida, no dia, na rua, no olhar, na noite,
nas férias, no passo, no tempo, no gesto.
a poesia não deve ser saudosista,
ela interpreta os presentes sentimentos de um poeta
A poesia tem um tempo só:
e ele é rápido, certeiro, esmagador, asfixiante,
[tóxico]
A poesia nos leva para um outro lado,
que é só nosso.
Um universo limitado na sintaxe,
mas infinito em si mesmo.
Sem pausa, dúvida ou receio.
Deixe que as palavras se fixem em algo,
e algo começará a surgir.
A poesia é resultado da própria poesia.
É uma paixão explicável e,
ao mesmo tempo incrivelmente duvidosa.
A vida é breve,
e a poesia está nos intervalos.
25 de maio de 2008
Um verso inacabado
A frase desce rasgando. A sensação no corpo era mais do que jorro de água fervente naquele dia. Era golpe, soluços com lágrimas mal fabricadas. Sensação de traidor farejando a própria criação. E fedia. O nível de sinceridade de Maria era algo desconhecido. Então sentiu que a perda fora somente dela. Mas ela sabia que desconhecer a traição seria pior do que nunca tê-la tocado. Queria ter com ela todos os sentimentos possíveis, bons ou ruins, que importa! Na vida havia experimentado grandes tragos da solidão e do amor, numa mescla embriagadora. Agora que seu corpo sentia os dois revolvendo-se no estômago, queria vomitá-los, mas não sabia se devia. Nada disse, fingiu ter sono e deixou seu namorado, sem explicações, como se as dele fossem mais compreensíveis, como se o silêncio dela trouxesse o consolo.
14 de maio de 2008
No final ele fala, e eu calo.
22 de março de 2008
Partes de textos inacabados e nem começados I
Alguns minutos ao pé da escada...
- Esperando por alguém? – perguntou-me o menino
- Minha desgraça.
- Se é tão ruim assim, por que espera por ele?
- É que as desgraças são boas enquanto acontecem, depois ficam ruins como todas as outras.
Ela imagina que a vontade dele é a de telefoná-la imediatamente, mas que se ele o fizesse, provavelmente se sentiria estúpido e completo desesperado. E quem se importa com esse tipo de pensamento a não ser a própria pessoa? E o único que ela desejava era um traço mínimo de presença, "começos de conversas que nunca tivemos. Mas ele não sente minha falta”
Faltarão aquelas poucas horas da noite que tiveram. Ele não telefonará. E no final os dois acabarão se acostumando com a idéia da ausência. Sentirão apenas aquela noite,
Termina-se nela.
Diálogo com a irmã
- Júlia, você já parou pra pensar no que é Deus?
- Já.
- E aí?
- Deus é um não-sei-o-que misturado com um pouco de sorte.
