A carne continua fraca.
Impaciente.
Poucas vezes me pergunto se é prudente ficar pra depois do jantar
Depois deito de lado, e adormeço.
Lá fora o asfalto começa a brotar vida
Acordo. Olho para os lados.
A carne continua fraca.
Impaciente.
Poucas vezes me pergunto se é prudente ficar pra depois do jantar
Depois deito de lado, e adormeço.
Lá fora o asfalto começa a brotar vida
Acordo. Olho para os lados.
A próxima parada é no meio da rua. Entre ônibus, mendigos e a fumaça eu seguia buscando algo para preencher minha casa, ainda vazia. A primeira. Escolhi uma hora largar tudo o que me era para o que poderia ser, um daqueles tantos sonhos distantes que desejamos quando crianças. A incerteza da mudança, a empolgação em ser algo incerto, algo sem rumo. Apenas, ser... E quem sabe no meio de tudo isso ter tempo para um café, uma espiada no homem que passa ou um pensamento completamente inútil que surge do nada. Engraçado como as coisas inúteis nos surgem do nada, nem de um pensamento pré-fabricado, nem de um gesto que levaria a ser alguma coisa. Assim como a criação do Universo, que se criou do nada, apenas explodiu, eu apenas explodo.
O que ia e vinha era isso, faltava acordar apenas, o baque da mudança se foi de vez, fora de mim, e me trouxe a calma de saber viver-se no presente que antes eu queria que fosse futuro. A mudança se transformou em rotina. Sigo agora umas quantas quadras mais pela rua. E depois de dezenas de novas ruas e esquinas e casas e praças e bares construo a cidade que escolhi sem porque. Mas sigo sempre, a caminho da próxima parada.
Sinceramente não sei se o amor pode surgiu de um olhar perdido, de uma ação despropositada ou de um pensamento seguido. Não sei dizer se ele surge somente com o tempo, com o cuidado da rotina e, com ele, a certeza da verdade. Saber-se apenas de uma pessoa. As agonias de não estarem juntos, vontade da sua voz. Seria o amor um tipo de individualismo, que procura eliminar todas as dores? Mate em mim as vontades, que eu não tenha tempo de tê-las, pois me satisfarei instantaneamente a um curto intervalo de instantes. Ter a coragem de arriscar tudo por um gesto, um sorriso torto, uma palavra engasgada. Meu mal-jeito com o amor me tornou uma pessoa capaz de suportar a própria solidão. Desabo com um abraço, e por ele horas com olhares na janela. Acabar-se no mínimo dele, mesmo que nunca mais, se é tempo que me falta... destruidor, incansável amor.
