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17 de fevereiro de 2010

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A carne continua fraca.
Impaciente.

Poucas vezes me pergunto se é prudente ficar pra depois do jantar
Depois deito de lado, e adormeço.

Lá fora o asfalto começa a brotar vida
Acordo. Olho para os lados.

Com eles, nunca fico para o café-da-manhã

16 de fevereiro de 2010

Proxima parada

A próxima parada é no meio da rua. Entre ônibus, mendigos e a fumaça eu seguia buscando algo para preencher minha casa, ainda vazia. A primeira. Escolhi uma hora largar tudo o que me era para o que poderia ser, um daqueles tantos sonhos distantes que desejamos quando crianças. A incerteza da mudança, a empolgação em ser algo incerto, algo sem rumo. Apenas, ser... E quem sabe no meio de tudo isso ter tempo para um café, uma espiada no homem que passa ou um pensamento completamente inútil que surge do nada. Engraçado como as coisas inúteis nos surgem do nada, nem de um pensamento pré-fabricado, nem de um gesto que levaria a ser alguma coisa. Assim como a criação do Universo, que se criou do nada, apenas explodiu, eu apenas explodo.

O que ia e vinha era isso, faltava acordar apenas, o baque da mudança se foi de vez, fora de mim, e me trouxe a calma de saber viver-se no presente que antes eu queria que fosse futuro. A mudança se transformou em rotina. Sigo agora umas quantas quadras mais pela rua. E depois de dezenas de novas ruas e esquinas e casas e praças e bares construo a cidade que escolhi sem porque. Mas sigo sempre, a caminho da próxima parada.

31 de maio de 2009

Sobre liberdade

Ter a liberdade de estar com outras pessoas não faz o ciúmes morrer. O ciúme sempre existirá quando se trata da pessoa amada. O que pode existir é um ciúmes saudável, livre do sentimento de posse. Um sentimento que explique a dependência psicológica que você possui por uma pessoa. Não faço isso por ser psicologicamente forte, mas por querer sê-la. Quero ser com você o que não consegui com nenhuma outra pessoa. Uma cumplicidade única, algo além do físico. Uma dependência invisível. Não sei explicar com palavras exatas. Algo simples, entendível por ele mesmo. Quero que você esteja comigo por eu ser eu pura e, simplesmente eu.

Amor pra mim não é sexo, não é flerte. Amar dói, isso já estamos cansados de saber. Amar é fazer conessões. Não no sentido carnal apenas, mas faz parte. Morro de ciúmes de você, nem imagina o quanto, mas o que eu sinto é por saber o quão maravilhoso você consegue ser por nós dois. E saber dessa felicidade tocada em outra pessoa é dor de amor. Suportável, tangível, múltipla. Sentimento de liberdade. Ter plena consciência de estarmos juntos por eu ser eu e você ser você. Não poderia pedir mais nada, a não ser apenas, te amar cada vez mais.

27 de abril de 2009

Dança

E o que não é a vida senão as várias oportunidades de risco?
Viver sem paciência
Sentir sem pensar

(multifacetados que somos)


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Dominar a linguagem do corpo e compreender sua própria natureza. Sentir-se íntimo as melodias de instantes. Uma dança mal-feita, amadora, rítimica... Nós dois, cada vez mais harmoniosos, um movimento e dois corpos. Mas há a dança da solidão quando não se está, ser sozinho somente para você é querer para si todas as dores.

Substanticvo singular.
E então se morre triste,

Prefiro um único movimento,
o último,
sem pensar.


05/03/2009

Tempo que falta

Sinceramente não sei se o amor pode surgiu de um olhar perdido, de uma ação despropositada ou de um pensamento seguido. Não sei dizer se ele surge somente com o tempo, com o cuidado da rotina e, com ele, a certeza da verdade. Saber-se apenas de uma pessoa. As agonias de não estarem juntos, vontade da sua voz. Seria o amor um tipo de individualismo, que procura eliminar todas as dores? Mate em mim as vontades, que eu não tenha tempo de tê-las, pois me satisfarei instantaneamente a um curto intervalo de instantes. Ter a coragem de arriscar tudo por um gesto, um sorriso torto, uma palavra engasgada. Meu mal-jeito com o amor me tornou uma pessoa capaz de suportar a própria solidão. Desabo com um abraço, e por ele horas com olhares na janela. Acabar-se no mínimo dele, mesmo que nunca mais, se é tempo que me falta... destruidor, incansável amor.

18 de fevereiro de 2009

Às 5 a.m.

Amanhece,
mais se cansa do que sonha.

Amanhecer é momento neutro.
Enquanto os homens dormem a natureza consegue finalmente reencontrar-se.

Só o silêncio fica.
Silêncio de nascença, novidade, solidão.

É ao amanhecer que o homem perde todo seu poder em tentar conquistar o mundo.

16 de fevereiro de 2009

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Tempo estático, morto.

Agora vivo

Numa só noite.

Baile da madrugada

Sentir mais intensamente
quando não se está presente.
Através da janela ... e as coisas passam.
Quem desejava saber de quase tudo não pertence nem mais aos que tentam

Um olhar perdido como se não fosse pela primeira vez,
mas como se quisesse repetidas vezes, sem cansar.

Fim de noite. Bêbada me deito. Jogo as palavras pois nessa hora é impossível organizá-las.
Acabaram ficando com ele, apenas.

Algo de íntimo, algo de único, mesmo que por pouco. Que seja tempo ou objeto.
Vou lá fora fumar um cigarro e você do meu lado fazendo graça.

(Viva a sua rotina, que eu vivo a minha, e assim caminhamos separados e juntos, em paz)

Mas não se esqueça dos intervalos com os sorrisos jogados na madrugada.
No mesmo espaço,
ao mesmo tempo,
e pelo mesmo motivo.

12 de fevereiro de 2009

Carona em Bauru

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Escrito em 2006...



Sabe o dia no qual você deu carona pro Thiago, Victor, Carol e Henrique? Bom... Estávamos voltando da festa e você levando eles para casa. Lembro-me que estava quieta, sentada no banco do carona, e o Thiago começou a imitar alguém. Todo mundo começou a rir, só eu não porque não entendia a imitação da menina que todos vocês conheciam. Daí você começou a dar aquelas risadas, ahhhh... Aquela sua risada! Eu ficava olhando, de canto quase sem me mexer... só espiando. Enquanto você ria e dirigia, e eu ria porque estava vendo seu sorriso. Foi quando eu olhei com mais atenção e entristeci.Aquele sorriso em pouco tempo não estaria comigo,e viriam as saudades, lembranças e o som do sorriso

Fiquei olhando a paisagem, tentando evitar te olhar,mas eu conseguia te ouvir, e você continuava sorrindo.

Fechava os olhos e sabia exatamente o movimento da sua boca, como sua cabeça vai ligeiramente pra trás quando sorri, como você achava tudo aquilo engraçado. E eu pensando nas saudades, saudades que nos dividiam em milhares de quilômetros. Virei o rosto, te olhei, você já tinha parado de sorrir, voltou a apenas dirigir, mas não me olhou. Fiquei olhando mais um tempo e você mexeu um pouco a boca como se estivesse falando pra ela deixar de sorrir. E voltou a ficar sério. Daí tive a impressão que você levaria a cabeça ligeiramente pra trás e sorriria de novo. Mas daí você não sorriu.

Bateu a seta.
Dobrou o carro.
Olhei pela janela.
E quem sorriu fui eu.
Você ficava lindo sério.

10 de fevereiro de 2009

O artista da agonia




Man Ray
(Emanuel Rudzitsky, Filadélfia, 27 de Agosto de 1890 - Paris, 18 de Novembro de 1976) foi um fotógrafo, pintor e anarquista norte-americano.

"Em lugar de pintar pessoas, comecei a fotografá-las, e desisti de pintar retratos ou melhor, se pintava um retrato, não me interessava em ficar parecido. Finalmente conclui que não havia comparação entre as duas coisas, fotografia e pintura. Pinto o que não pode ser fotografado, algo surgido da imaginação, ou um sonho, ou um impulso do subconsciente. Fotografo as coisas que não quero pintar, coisas que já existem.", por Man Ray





Fotografias de Man Ray


A curta-metragem L’Étoile de Mer, realizada por Man Ray em 1928, é uma das obras clássicas do cinema surrealista dos anos 20 do século passado. Trata-se de uma inquietante história de amor onde se cruzam personagens insólitas, ora próximas, ora distantes, inspirada na peça de teatro La Place de L'Etoile, escrita um ano antes por Robert Desnos, um dos maiores poetas surrealistas.

“A par das referências óbvias ao desejo sexual inconsciente, presente na maioria dos trabalhos surrealistas da época, L’Étoile de Mer é marcado pelos pontos de contacto que estabelece entre o ideal de mulher inalcançável e a estrela-do-mar do título. A enigmática estrela-do-mar é um dos símbolos primordiais da iconografia surrealista, surgindo no filme sempre que se adivinham sinais de conflito ou ameaça à frágil relação dos protagonistas.” http://olugardosangue.blogspot.com


A ESTRELA DO MAR
(L’ETÓILE DE MER – Man Ray, 1928)