1 de novembro de 2012

Em dias, em horas, apenas existindo.


Um dia pode ser que eu seja parecida com todos aqueles heróis que  ao menos aspirei ser um dia. O homem é incrivelmente fraco, suas convicções podem durar apenas uma noite e, ironicamente, nessa noite fazer tudo valer. Sem cor nem almas existentes. Apenas dor e a alegria de ser você mesmo, de ser mediocremente humano. Com todos os sentires, momentos. Tudo enquanto ainda puder gritar.

E é essa minha voz, calma entre tanta agitação;
mais viva do que uma ação qualquer,
mais viva que um verso,
uma dança.

Talvez mais viva e aparente do que um “eu” jamais pudesse ser. 

O amor como o absurdo da vida, e então a vida como um absurdo sem sentido, sem subtrações. E lá vem um amor do passado, confundindo todas as dores  que já não mais virão, mais do que um dia se sentiram. As dores de outra mulher agora solitária, a dor de uma mulher pura e simplesmente egoísta demais para tentar ser qualquer coisa a mais ou apenas melhor que os outros. Quem sou eu? Quem é você? Quem, no fundo de qualquer sentimento ou pensamento saberá realmente a resposta.

Conscientes de dor...

Algumas coisas nasceram para apenas doer, apenas existir, apenas elas... Em dias, em horas... mil vezes desperdiçados pela incompreensão, dura, permanente. Assim somos, incompreendidos, insatisfeitos, loucos e pouco misturados em palavras.

E eu agora que sinto ter poucos minutos pra pôr para fora. Poucos minutos sem fama, sem drama. Só eu, uma madrugada e algumas confusões mentais que provavelmente nunca precisarão de papel. O que sinto agora é mais que madrugada, é mais que álcool, é mais que talvez, vida. É um grito calado e uma pessoa que não ama faz muito tempo.

Agosto 2010